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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

À Isaura

Quantos anos passaram
Sobre as nossas gargalhadas?
Andámos tanto tempo juntas,
Que me não lembro de mim
Sem ti.

Tantas estradas cruzadas,
Tantas cartas escritas,
Tantas horas ao telefone
Tanta vida comum,
Mesmo estando separadas.

Quando adoeceste,
Estive a teu lado.
Mas quando morreste,
Levaste um bocado
De mim e de nós!

Helena

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Palavras

Amaram-se tanto,
sem nunca se conhecerem.
Entregaram-se tanto,
sem nunca se encontrarem.
Foram as palavras escritas
que os aproximaram.
Elas que teceram os elos
que os prenderam.

Foram felizes
Sem nunca falar.
Ou foram-no,
Porque nunca falaram!

Helena

Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Dos amigos

Sofro com as dores
dos amigos
a quem não posso valer.
Eles são o meu suporte
a mão que se estende
e me acarinha.
Porque é que são meus amigos?
Não sei.
Nem sequer sei
quando se tornaram
amigos.
Sei, isso sei,
que sem eles,
o meu mundo e os meus sonhos
seriam diferentes.
E eu seria outra,
Mais pobre
e menos gente!

Helena

Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

Amor

Quantas vezes te perdi,
Quantas vezes te encontrei.
Estúpido coração este
Que não vê, mas sente.
Que acredita, mas sofre.
Que não distingue, afinal,
Que o amor também é saudade
De uma vida banal,
Ou de mera casualidade!

Helena

Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

Tango

Gosto de tango
E de o dançar,
Especialmente contigo.
Sinto-te em cada nota,
E entrego-me
Com desejo
E sem pejo.
A cada acorde,
São os nosso corpos
Que se fundem,
A respiração que acelera.
A minha perna envolve a tua
Para depois a largar
E voltar a prender.
Suspensos ambos,
De mais um requebro
De um ir e vir
Que afinal nos envolve
Para de dois,
Fazer um.
Que se move
Que se entrega
Que se dá
Ao sabor do tango
Que nos une.

Helena

Terça-feira, 2 de Agosto de 2011

Outono

Torra-me o sol,
Não me deixa respirar.
Sol que desnuda corpos,
E martiriza o olhar.
O meu tempo é neblina,
Com árvores a desfolhar.
É um olhar melancólico,
Para o inverno a chegar.
Fortalece-me este tempo,
Que é sem o ser
Outono que deixa o Verão
Para o Inverno chegar.
Céu cinzento rosado,
Uma brisa no mar.
E eu, sempre, a recomeçar!

Helena

Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

100 fiéis!

Cem leitores fiéis,
De prosa poética,
Informal.
Cem amigos atentos
Ao que se passa comigo,
Afinal.
Será que merece
Tanta atenção
O que aqui partilho
De bem e de mal?
Espero que sim.
É para isso que escrevo
E me exponho,
Ser complexo,
Mortal.
Bem hajam todos,
Porque são esteio
Do que produzo,
E o meu apoio
Moral.

Helena