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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Envelhecer

O corpo franzino e velho
Fora outrora uma escultura
De que a dona fizera gala.
Os anos passaram.
As rugas vieram.
Os amantes desapareceram.
O corpo perdeu a forma
Mas o olhar, esse, permaneceu.
Tem até um brilho especial.
Aquele que vem da alma
Que jamais envelheceu!

Helena

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ser ou ter

Em vida sabemos pouco
Daquilo que importa saber.
Ficamos pelas vaidades
Esquecidos que elas não contam,
Para aquilo que na verdade conta.
É que pouco importa o ter
Quando não saibamos ser.


Helena

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O abraço

Gosto de me levantar e ver o sol
Nascer, quando acontece.
Depois, voltar a adormecer
E acordar ao som dos pregões
Do amolador e das varinas,
Ou do vendedor de limões.
E ficar num geito de sonolência,
A olhar-te.
Numa espécie de torpor,
Num enlace apertado,
Fusionado, uno,
A gozar o teu calor.

Helena

domingo, 19 de julho de 2009

Despedida

Nunca te teria visto,
Se não fosse aquele jantar.
Fui para lá contrariada
Porque tinha de trabalhar.
Ao olhar-te, embasbaquei,
Dei-te a mão sem pensar.
Foi o princípio duma história,
Daquelas de encantar.
Passaram muitos anos,
Em que andámos de mãos dadas,
A viver os nossos sonhos.
Um dia despediste-te,
Disseste que ias viajar.
Pelo olhar triste que tinhas,
Soube logo que partias
Para nunca mais voltar!

Helena

terça-feira, 7 de julho de 2009

Em pequena

Em pequena eu sonhava,
Que um dia seria livre
E faria da minha vida
Uma aventura.
Com quem?
Com quê?
Não sabia.
Contigo o caminho foi solidário,
Ambos empenhados
Naquilo em que acreditávamos.
O difícil veio depois,
Ao perder-te
E descobrir o peso
Do caminho solitário.
Em pequena, eu sonhava!
Helena

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Números

Gosto do nove
E do sete, tambem.
Não gosto do noventa e sete,
Mas gosto do setenta e nove.
Com os números é assim,
Têm de ser bem colocados.
Com as pessoas, outrossim .
Porque eu posso gostar de ti,
E tu não gostares de mim.
Mas haver quem goste de nós.

Helena

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Lágrimas

As minhas lágrimas são doces,
Porque de riso tecidas.
As outras, salgadas,
São tuas,
De desespero urdidas.
Umas correm,
Outras deslizam.
Para se encontrarem
As duas,
Num abraço
De despedida.

Helena