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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Saber

Nem sempre sei saber
Porque saber implica conhecer.
Conheço muita gente,
Conheço muitas coisas.
Mas nem sempre saberei
Quem ou o que são.
Gostava de saber mais
Sem que isso implicasse
Conhecer!

Helena

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Envelhecer

O corpo franzino e velho
Fora outrora uma escultura
De que a dona fizera gala.
Os anos passaram.
As rugas vieram.
Os amantes desapareceram.
O corpo perdeu a forma
Mas o olhar, esse, permaneceu.
Tem até um brilho especial.
Aquele que vem da alma
Que jamais envelheceu!

Helena

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ser ou ter

Em vida sabemos pouco
Daquilo que importa saber.
Ficamos pelas vaidades
Esquecidos que elas não contam,
Para aquilo que na verdade conta.
É que pouco importa o ter
Quando não saibamos ser.


Helena

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O abraço

Gosto de me levantar e ver o sol
Nascer, quando acontece.
Depois, voltar a adormecer
E acordar ao som dos pregões
Do amolador e das varinas,
Ou do vendedor de limões.
E ficar num geito de sonolência,
A olhar-te.
Numa espécie de torpor,
Num enlace apertado,
Fusionado, uno,
A gozar o teu calor.

Helena

domingo, 19 de julho de 2009

Despedida

Nunca te teria visto,
Se não fosse aquele jantar.
Fui para lá contrariada
Porque tinha de trabalhar.
Ao olhar-te, embasbaquei,
Dei-te a mão sem pensar.
Foi o princípio duma história,
Daquelas de encantar.
Passaram muitos anos,
Em que andámos de mãos dadas,
A viver os nossos sonhos.
Um dia despediste-te,
Disseste que ias viajar.
Pelo olhar triste que tinhas,
Soube logo que partias
Para nunca mais voltar!

Helena

terça-feira, 7 de julho de 2009

Em pequena

Em pequena eu sonhava,
Que um dia seria livre
E faria da minha vida
Uma aventura.
Com quem?
Com quê?
Não sabia.
Contigo o caminho foi solidário,
Ambos empenhados
Naquilo em que acreditávamos.
O difícil veio depois,
Ao perder-te
E descobrir o peso
Do caminho solitário.
Em pequena, eu sonhava!
Helena

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Números

Gosto do nove
E do sete, tambem.
Não gosto do noventa e sete,
Mas gosto do setenta e nove.
Com os números é assim,
Têm de ser bem colocados.
Com as pessoas, outrossim .
Porque eu posso gostar de ti,
E tu não gostares de mim.
Mas haver quem goste de nós.

Helena