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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Reconhecer

Quantos anos terão passado
Desde que nos conhecemos?
Não sei. Não me lembro
Senão que toda a vida te conheci.
Corríamos pelo quintal, à apanha
De limões, laranjas e peras.
Riamos e choravamos,
Zangavamo-nos e faziamos as pazes.
Tantas e tantas vezes.
Vi-te ontem,
Mas tu não me reconheceste.
És rica. Casaste.
Eu trabalho. E divorciei-me.
Afinal,
Nascemos iguais
Mas crescemos diferentes.
Por isso, não me reconheceste...

Helena

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Não sei

Não sei se prefiro
O antes ou o depois
Das coisas boas.
Antes, anseio, imagino.
Depois, recordo, revivo.
Do momento, não sei,
Não realizo, sequer,
O que me acontece.
Limito-me a sentir
Aquilo que me apetece.

Helena

domingo, 15 de novembro de 2009

À chuva...

Gosto de ver chover,
Mas sem vento.
Chuva miudinha,
Para andar ao relento
A passear,
E a dançar.
Como no filme,
Como se fosse menina.
Com um chapéu,
Para não me molhar
E cantar,
A dançar!

Helena

sábado, 7 de novembro de 2009

Felizmente

Gosto de coisas simples
E de gente complicada,
Que pensa, que sofre,
Que luta, que fala!
Que não desiste de ser feliz,
Mesmo que ser infeliz,
Seja mais fácil!
Gosto de andar descalça
Mas gosto de gente calçada,
Educada, inteligente.
Gente boa, exigente.
Gente sã, gente que é gente,
Felizmente!

Helena

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Outono

Já não há verde.
Só castanho amarelado.
As folhas vão caindo,
Os cabelos enbranquecendo,
A luz diminuindo,
A tristeza aumentando.
Dizem eles!
Eu gosto deste quadro,
Sem a tristeza, claro.
Assenta-me a rigor,
Aumenta a minha força,
Reforça o meu vigor,
Torna suaves os meus dias,
Pacifica a minha alma,
Dulcifica o meu olhar.
Apazigua o meu corpo
E prepara--me para ti,
Meu amor!

Helena

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Nós!

É uma dor fina, discreta,
Uma lágrima fugidia,
Uma ânsia inexplicável,
Esta que sinto cá dentro.
Falta de ti, falta de mim,
Falta de nós,
Esquecidos um do outro,
E do tempo em que nos tinhamos.
Esse tempo que não volta,
Essa intimidade perdida,
Repartida por outros,
Que são um, ou mais,
Mas que nunca serão nós!

Helena

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Para o André

Há coisas que não se explicam.
Apenas se sentem.
Desde o primeiro dia,
Em que te tive nos braços,
Eu soube que seria assim,
A nossa proximidade.
Que não é feita só de ternura,
Mas de muito mais do que isso.
É saber que nos entendemos
Nos gestos, nas palavras, nos silêncios.
E é ter a certeza
Que onde quer que estejamos,
Um de nós vai sempre procurar o outro.

Helena