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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Chuva

Gosto de ouvir chover
Esquecida daqueles
A quem a chuva faz sofrer.
Há dias em que não sou boa,
Em que só penso em mim.
Enrolada nos cobertores,
Toda anichada em ti,
Aqueço-me no teu corpo
E oiço a chuva a cair.
Primeiro fraca,
Depois mais forte,
Até, lá para diante, parar
E eu, nos teus braços,
Adormecer a sorrir!

Helena

domingo, 6 de junho de 2010

Cheiros

Os cheiros
São lembranças.
O de lavanda.
Meu Pai.
O de flores,
Minha Mãe.
O de cera,
Meus avós.
O de rosas,
Crianças.
O de suor,
Trabalho.
O de corpo,
Amor.
O de açucar queimado,
Doces.
O de doces,
Teus beijos roubados!

Helena

sábado, 27 de março de 2010

Lágrimas

Lágrimas são gotas
Que doem
Ou que aliviam.
São bocados de vida
Chorados.
Lembranças presentes
De alegrias e mágoas.
São bocados de mim,
São bocados de ti,
Que um dia
Foram bocados de nós.

Helena

terça-feira, 16 de março de 2010

As tuas mãos

Não são bonitas,
As tuas mãos.
São curtas e largas,
Cheias, sem graça.
Eu sei,
Mas são as tuas mãos.
Que me conhecem,
Que me acarinharam,
Que me agarraram,
E que, um dia,
Me largaram.
Mas são as tuas mãos.
Esquecê-las,
Era esquecer-me de mim,
De ti,
E, quem sabe?
Talvez, mesmo, de nós!

Helena

domingo, 14 de março de 2010

Memória

Gosto de memorizar
Aquilo em que não quero pensar.
Tabuadas, telefones, ou moradas.
Mas quero ter memória,
O que é muito diferente.
Memória para recordar
O que foi bom,
E esquecer o que foi triste,
Ou mesmo deprimente.
Quero recordar os amigos,
Os filhos pequenos,
Os pais, os avós e os netos.
Quero recordar-te a ti,
Quando ainda eramos nós.
E esquecer
Quando deixámos de o ser!

Helena

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Tempo

Há um tempo
Sem tempo.
E gente que não tem tempo
Para dar tempo
Ao tempo que ainda tem.
Mas um dia virá,
Em que o tempo abundará.
Só que então
O tempo jamais será
Um tempo de doação.
Será um tempo solitário,
Um tempo de quem espera,
Um tempo já sem tempo
Para dar ao tempo
Que se tem.

Helena

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Rima

Gosto de rimas
E de risos
Que nem sempre rimam
Com os avisos
De quem rema
Contra a maré.
Mas na rima
Dos meus remos
Estás tu
E a minha fé.
Fé divina
Na maré
Que me lança na praia
Sem nunca perder o pé!

Helena