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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Alguém

Não era importante,
Mas importava-se.
Falava pouco,
Mas fazia muito.
Não comentava,
Mas comentavam-no.
Não prejudicava os outros,
Mas era prejudicado.
Não roubava,
Mas era roubado.
Amou intensamente,
Mas não foi amado.
Viveu e morreu
Como um santo,
Mas não foi reconhecido.

Helena

Tão bom!

Passear de mão dada
Na tua.
Sentar-me no jardim
Contigo.
Olhar os teus olhos
No fundo.
Acariciar os teus cabelos
Com ternura.
Beijar a tua boca
Com amor.
Percorrer o teu corpo
Com desejo.
Fazer amor contigo
Com paixão.
Enlaçarmo-nos um no outro
Esgotados.
E dormir, enfim,
Nos teus braços
Enrolados à volta de mim!

Helena

domingo, 22 de agosto de 2010

Tão pouco, afinal!

Ver o rio e passear
Dar-te a mão e caminhar
Beijar-te com sofreguidão
Matar a sede e beber
A água límpida da fonte.
Daquela que seca no Verão,
Mas jorra, em força, no Inverno.
Apanhar chuva e dançar,
Pular nas poças do chão.
Entregar-me nos teus braços,
Consumir esta paixão
Abraçar-te a vida inteira.
Rir, com gosto, de nós
E da vida que levássemos.
Tudo isto faria de mim
A mais feliz das mulheres,
A mais fogosa guerreira.

Helena

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Chuva

Gosto de ouvir chover
Esquecida daqueles
A quem a chuva faz sofrer.
Há dias em que não sou boa,
Em que só penso em mim.
Enrolada nos cobertores,
Toda anichada em ti,
Aqueço-me no teu corpo
E oiço a chuva a cair.
Primeiro fraca,
Depois mais forte,
Até, lá para diante, parar
E eu, nos teus braços,
Adormecer a sorrir!

Helena

domingo, 6 de junho de 2010

Cheiros

Os cheiros
São lembranças.
O de lavanda.
Meu Pai.
O de flores,
Minha Mãe.
O de cera,
Meus avós.
O de rosas,
Crianças.
O de suor,
Trabalho.
O de corpo,
Amor.
O de açucar queimado,
Doces.
O de doces,
Teus beijos roubados!

Helena

sábado, 27 de março de 2010

Lágrimas

Lágrimas são gotas
Que doem
Ou que aliviam.
São bocados de vida
Chorados.
Lembranças presentes
De alegrias e mágoas.
São bocados de mim,
São bocados de ti,
Que um dia
Foram bocados de nós.

Helena

terça-feira, 16 de março de 2010

As tuas mãos

Não são bonitas,
As tuas mãos.
São curtas e largas,
Cheias, sem graça.
Eu sei,
Mas são as tuas mãos.
Que me conhecem,
Que me acarinharam,
Que me agarraram,
E que, um dia,
Me largaram.
Mas são as tuas mãos.
Esquecê-las,
Era esquecer-me de mim,
De ti,
E, quem sabe?
Talvez, mesmo, de nós!

Helena