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sábado, 19 de janeiro de 2013

Tempos difíceis

Era um tempo difícil,
Aquele da adolescência.
Tudo era incipiente,
Desde o rosto,
Ao corpo,
À mente.

Um dia havia de ser adulta,
Para me libertar de peias,
Pensava, segura.
Agora, que sou crescida,
As peias são bem maiores.
E as angústias mais sentidas.

O futuro, esse é mais curto,
O presente não agrada
As dores são mais profundas
E a morte está mais perto.

Helena



As contas de Deus

Quantos homens terá ela amado?
É difícil saber
Duns gostou muito,
Por outros apaixonou-se,
Com alguns apenas dormiu.
Mas todos são lembrados,
Como o sal que tempera
A pimenta que estimula
O ácido que corta
A doçura excessiva.
Quantos homens terá ela amado?
Muitos ou poucos,
Todos tiveram importância.
Mas amado, amado,
Dois? Três, talvez.
Que é a conta que Deus fez!

Helena


Amor ferido

No teu corpo me anichei
Quando a ti me entreguei
E menina mulher me fiz.
Nesse corpo de petiz

Quantas noites de amor
Quantos beijos te dei
Quanto desejo saciei.

Mas, um dia veio a dor,
Pequena, mesquinha.
Sem valor.
Que me fez esquecer
O teu amor

Que me impediu de perdoar
O deslize.
Para só lembrar
A raiva, o orgulho,
O amor ferido
De quem se arroga, afinal
O direito de possuir
E de não partilhar.

Helena


A mulher do espelho

O que é que o espelho nos mostra?
O que somos hoje ou o que fomos ontem?
Nunca sei.
Porque a mulher que eu vejo
Não é a mulher que eu sou.
E a mulher que eu sou,
Nenhum espelho mostra.
O espelho inverte a imagem
Por isso aquela que ali está
É outra que, até não existe
Em mim.
Mas que os outros julgam ser eu.

Helena

Ainda hoje

Gosto de passear ao vento,
Recorda-me de quando te conheci.
Chovia e fazia frio, lembras-te?
Quantas juras fizemos,
Quantas promessas de amor.
Fomos felizes ou apenas eu fui feliz?
Ainda hoje não sei,
Ainda hoje gostava de saber,
Mas já ninguém me diz...

Helena

domingo, 25 de novembro de 2012

Entrega

Fui-me entregando aos poucos,
Cada vez com mais prazer.
Foram momentos loucos,
De beijos, carícias, paixão.
Corpos fundidos, suados,
Enlaçados num turbilhão
De espasmos e de gemidos,
De abandono e de bem querer
Que se seguem à explosão,
Da posse e do prazer.

Helena

Era o caminho

Era o caminho
Era o traço
Eras tu
Meu olhar de melaço
Era o laço
Que então me deitavas
Era o caminho
Era a rua
Era eu que sorria
E desfazia
O embaraço
Era o caminho
Era o passo
Que lado a lado
Agora trazia
A minha mão na tua!

HSC